Zênith

"Estar no mundo sem ser do mundo"

Textos


HUMOR JEDI

Ao estilo revista MAD - para quem tem mais de 40 e se deliciou por décadas com esse humor literário de primeira:

Por

Christina Nunes

Querida amiga de uma galáxia muito, muito distante...

Eram os idos de 78.

Toda a galáxia se divertia com os assomos de síndrome de grandeza de Darth Vader e com os feitos psicodélicos dos Jedis no uso da Força.

Princesa Leia era imbatível como a preferida dos concursos de miss entre as princesas de Alderaan, para delírio dos pilotos dos caças X-Wing e, - por que não dizer, na encolha - dos caças Tie imperiais.

Eis que todas as publicações e filmes de sucesso de público na jurisdição das facções Rebeldes, da República, ou mesmo imperiais, noticiam os fatos das guerras estelares, com o humor sombrio ou de luz de ambos os lados da Força, e para júbilo dos planetas da elite ou poeirentos (a pobre e maltratada Terra inclusa) de todos os confins do universo.

Então, amiga, eis que, neste ponto azul, perdido sem saber o que fazer na azáfama das batalhas rebeldes e imperiais, eras detentora de uma das edições humorísticas raras do periódico MAD, pérola literária remanescente dos escombros das batalhas contra a Estrela da Morte - posse de Han, o contrabandista que adorava ler besteiras com Chewbacca enquanto sua nave, a Millenium Falcon, cruzava a menos de 12 persecs a distância entre Taooine e Pandora, o mundo paradisíaco de Avatar, para, quem sabe, faturar algum combatendo ao lado dos N'avi (ops! Errei o roteiro e a década!...)

Ficou perdido, o exemplar raro da revista durante uns poucos meses, vindo dar ninguém sabe como numa das velhas bancas de jornais de um bairro obscuro e poeirento na Terra - sendo, tu, a feliz detentora da compra do achado, vendido a preço de banana...

Mostraste a obra! Nos deleitamos e rachamos de rir , lendo sobre a surdez irritante de Obi Wan e as peripécias loucas de Luke durante o seu treinamento como Jedi, com o sabre de luz... e passou o tempo e, depois de muito rir e se enfastiar de rir e rir de novo, chegas um dia em minha casa com um ar cansado e (a menos estivesse eu tão surda quanto o velho Ben) te ouvi dizer:

- Toma, é tua! Fica pra você!...

Mal acreditei em tamanho bafejar da sorte! Eu, que, humilde, sem ter sido a detentora de um daqueles raros exemplares perdidos nas galáxias sob a guarda dos felizardos que primeiro conquistaram a sua posse - justo eu, aos míseros 13 ou 14 anos terrestres, ser alvo de tamanho, inestimável e precioso presente!...

Aceitei, olhos lacrimejantes, exaltando em gratidão pela amiga gentil... e fui degustar, em êxtase, aquela joia literária que, com certeza, a própria Força me trouxera sob os bons eflúvios de uma amizade que eu cria fraterna!...

...só para vir abaixo a exultação, tempos depois, quando, num incompreensível assomo de nostalgia paranoide, a amiga me surge do nada numa tarde chuvosa para pedir sua revista "de volta"!

- D...desculpe! Achei que tinha me dado, não queria mais... - respondi, no auge do constrangimento e, outra vez, quase às lágrimas, mas desta vez de uma mistura indigesta de indignação, perplexidade e confusão íntima!

Teria, a amiga, sucumbido ao lado sombrio da Força, sob a influência de um Darth Maul?!...

Nunca saberei!

Sei que outras décadas se passaram com o misterioso episódio sepultado nas entranhas do meu ser, mas fato é que a vontade de reler, e rir, nem que uma última vez, com a raquetada de Luke na bola robótica de treinamento, nunca me deixou!...

A amiga sumiu nas dobras do tempo e da Força - nunca saberei se dos Sith ou dos Jedi...

...e eis que hoje, nesta galáxia e tempo também distantes, me surge do nada diante dos olhos atônitos, no feed do Faceb@ok, o anúncio inacreditável - provável que com origem em algum posto avançado de negociadores das fazendas de Tatooine, sempre metidos em imbróglios com compra e venda de sucatas dos jawas!

TODA a coleção MAD, estrangeira e nacional em pdf, por apenas 27 reais - inclusa a minha rara e valiosa edição Star Wars com todas as notícias picantes daquela época esfervilhante da República galáctica - junto com outras mais, da minha predileção, perdidas nas dobras da Força e dos ventos cósmicos!

Querida amiga!

Após todo este bla bla bla, resta o epitáfio, cuja energia sei que te alcançará com a velocidade da luz - talvez menor que a da Millenium Falcon, pouco importa, mas que chega, chega:

- "O que fazemos em vida, ecoa na eternidade!"

Maximus Décimus Meridius

Ops de novo!

Roteiro errado!...

Bem... você me entenderá!

Segue, como prova do meu gáudio, a foto do exemplar galáctico, de primeira posse de Han Solo antes de cair nas bocas das multidões destes confins dos multiversos:

🛸🛸

Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 25/08/2026
Alterado em 25/08/2026
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