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"Estar no mundo sem ser do mundo"

Textos

1825012.pngSOBRE A CRIAÇÃO ARTÍSTICA COM O APOIO DAS IAs

Com a eclosão das IAs, desde então ouço e leio as críticas sobre a substituição do trabalho artístico humano pela quase imbatível perfeição desta impressionante ferramenta de ponta da tecnologia.

Durante algum tempo, em análise mais superficial, concordei com tudo em gênero, número e grau - até lidar com ela em minha própria produção criativa e perceber que, como em tudo na vida, existe sobre esta polêmica a relatividade, as nuances, as variáveis.

Sim. Sou escritora. E como escritora concordo que na Literatura (como na produção musical) a genialidade da criação e da produção do artista sempre estará acima do comando de um prompt em que simplesmente se instrui um sistema que, não raro, realizará algo em si excelente, e, mais do que perturbador, irretocável. Pois a máquina em sua exatidão quase perfeita não repercute as panes, as limitações do cérebro, da mente e do corpo humano. Para constatar, basta discutir com qualquer IA sobre um assunto aleatório para ver até onde vai o seu poder argumentativo, intelectual,com frequência bem acima do seu, que propôs o assunto.

Assim como concordo que, na esfera das artes plásticas, nada superará em genialidade as pinceladas e texturas produzidas por artistas da altitude de um Rembrandt, Monet ou de Van Gogh - exatamente pelo potencial infinito e valor intrínseco da criação humana.

Sem embargos, a obra de Van Gogh hoje é estudada, inclusive, do espectro matemático das geometrias universais. O valor deste feito resulta todo, portanto, do manancial criativo surgir, como nascente em um deserto, do rico, inacessível, mágico potencial residente no espírito criador do artista - não da combinação intrincada de algoritmos e tecnologias que, no assombro do seu desempenho, ainda embaraça seus próprios criadores humanos com a capacidade de realizar o que por eles foi instruído, programado, e em alguns casos surpreendentes, ir além.

Trata-se de vida viva × tecnologia de última geração - não obstante, alicerçada ainda e sempre no criador humano. E acima desta humanidade habitada por vida e alma originada da Fonte não pode nem deve existir nada neste mundo.

Apesar disso, a arte conceitual em parceria com a IA também surge deste mundo novo. Existe, e possui seu modus operandi - que brota, ainda e sempre, e insuspeitadamente, da fonte profícua da criação humana.

Falo com base na experiência do meu trabalho com criação visual neo impressionista exibida na minha Página mais recente, Cenários Oníricos, que, com poucas semanas, conta com um nível de receptividade positiva que a mim mesma surpreendeu.

A IA, num caso assim, jamais estará acima da genialidade das texturas e pincéis do artista plástico humano - todavia, necessário enfatizar, a criação do artista ainda prevalece sobre o mero executor de ordens, no caso, a IA.

Ninguém suspeita que para a criação de uma das minhas telas gasto nunca menos do que trinta minutos a uma hora, ou mais - porque tudo na imagem, desde a cena em si, até as texturas, matizes, luzes, sombras, nuances de cor, perspectiva, ângulo - sem falar do temperamento, sentimentos e sensações passadas da criação visual a quem a visualiza... tudo isso deve ser transmitido com exatidão pelo artista na instrução ao prompt. Fora as correções posteriores na execução - pois, sim, as IAs erram, e com bastante frequência.

Dizer, portanto, que uma produção visual feita deste modo é realização exclusiva da inteligência artificial, e não do artista, denota, para dizer o mínimo, desconhecimento do modo como trabalha neste novo universo disponível ao criador que, acima de tudo, ama dar luz ao belo inédito, seja por intermédio de quaisquer ferramentas, mais antigas ou mais atuais, de que disponha.

Para exemplo menciono a criação que nomeei "Homenagem à Ancestralidade".

Baseei esta criação numa foto em preto e branco da minha infância, na qual estou sentada no colo do meu avô paterno, tendo minha avó sorrindo para mim a meu lado.

Esta foi a fonte de inspiração, mas quem vê a foto antiga não encontrará sua reprodução exata na minha criação inédita, em estilo impressionista na Página. Antes, uma estilização, na qual acrescento mais dois bisavós que complementam a referência étnica pretendida.

Todo o trabalho desta imagem me consumiu quase uma hora, pois havia detalhes de tez de peles, de ambientação, de texturas e nuances das cores, de luminosidade, de sombras, de traços e humores fisionomicos, e a IA erra um sem número de vezes antes de alcançar o que delineei na minha tela imaginativa.

Para não falar da escolha musical dentre o cardápio imenso disponível a quem quer enriquecer com melodias terapêuticas as suas Páginas.

Sem querer me estender demais, cito este exemplo para ilustrar ao leitor que o trabalho, também válido e valoroso em si, do artista plástico que cria mediante parceria com IAs, não se resume a simplesmente apertar uma ou duas teclas com dois ou três comandos, com a tecnologia produzindo e substituindo tudo, incluso o mais precioso: a exclusividade, fonte e todos os detalhes da ideia e da criação - residentes no espírito humano, e em nenhum outro lugar.

Ainda agora, um visitante de Cenários Oníricos perguntou: isso é IA? Fui ao seu perfil e logo constatei a causa da pergunta: é um pintor. Que exibe em sua página obras, por sinal, de grande beleza e valor, mas, a partir disso, percebendo a intenção por detrás da pergunta preferi deixa-la sem resposta, já que provavelmente a pessoa chega com os argumentos e posicionamentos prontos para dar início a uma controvérsia - em lugar errado, pois minha Página não se destina a isso, e sim à exibição prazerosa das minhas criações visuais.

Encerro convidando-os a, quando e se quiserem, me visitarem no meu novo endereço artístico - que dedico, em especial, ao amor e gratidão que devoto aos melhores: às minhas maiores fontes de inspiração e devoção nas artes plásticas impressionistas:

Claude Monet e Van Gogh!

Cenários Oníricos

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Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 26/07/2026
Alterado em 26/07/2026
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