Zênith

"Estar no mundo sem ser do mundo"

Textos

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Há muito, um Mestre sábio ternamente ensinava, com as seguintes elucubrações:

"Tudo na Criação, à exceção do homem, permanece em convívio harmonioso, de dentro da íntegra dignidade de cada ser ou coisa. Pássaros convivem dividindo a infinitude dos céus, sem a pretensão de se arvorarem em ser mais pássaros que os outros e mais dignos das benesses da vida, em decorrência desta ou de outras alegações descabidas. A existência se tornaria num pandemônio se pinheiros pusessem a se lamentar ruidosamente em esforço de protesto de superioridade em relação às florzinhas solitárias dos campos de várzea.

Nuvens gravitam nos céus límpidos das manhãs azuladas de verão sem medirem importância com as brisas suaves que lhes norteiam, suavemente, os movimentos. Nas florestas e oceanos cada ser coabita no seu habitat, obediente aos mecanismos regentes da Vida, ditados pelo Criador Supremo de todas as coisas, cumprindo seus papéis de maneira graciosa, sem indignidades, sem a faceta deprimente e vaidosa da opressão e da competição que querem ser mais, dentro da vida, do que a própria vida.

Inconcebível seria que determinadas espécies animais, a pretexto deste complexo destrutivo de superioridade, se pusessem em encarniçada perseguição de espécies outras sob a alegação de que apenas o seu modus vivendi é admissível perante os olhos de Deus, com seus pontos de vista, suas idiossincrasias, seu restrito ângulo de visão, na mais completa ausência de humildade perante as deliberações deste mesmo Deus que, criando a infinita miríade de criaturas e coisas espalhadas no Cosmos, o fez na expansão de seu ilimitado amor, sem favoritismos para quaisquer de suas obras em detrimento de outras.

Se Deus, de dentro da Sua Perfeição indizível, assim cria e abençoa diariamente a cada nascer do Sol, desde a gramínea mais obscura dos campos até o maior dos mundos perdidos na imensidão deste universo, com suas populações em graus múltiplos de evolução e de entendimento - sem descartar nada dentro desta multiplicidade incontável de seres - porque somente o ser humano, enceguecido por vaidade e vitimado pela restrição crítica de expansão da sua consciência para com a divindade inerente a cada ítem da Existência, haverá de outorgar-se o direito de condenar o caminho sagrado e singularíssimo palmilhado pelo seu próximo, em livre escolha respaldada pelo próprio Deus?

Porque somente o homem, suposto ícone da Criação neste pequeno mundo perdido no Cosmos, julga-se detentor da Verdade última e determinador da validade ou invalidade do trajeto escolhido pelos seus semelhantes, mobilizando contra os mesmos hostilidades, guerras e semeando com isso, sobre a face da Terra, nada mais que desassossego e angústia - no mais das vezes em flagrante contraditório ao promover estas expressões odiosas de desamor e de intolerância sob o uso indevido do nome mesmo da divindade de amor que dizem adorar?"

É mais do que necessário - é urgente - uma pausa para reflexão acerca da profunda arrogância inerente a estas atitudes e iniciativas. Lembremos a sentença do próprio Cristo ao enunciar, desde há dois mil anos atrás, para toda a posteridade: "Reconcilia-te com o teu inimigo, antes de depositar a oferenda no Meu altar". "Não julgueis para não serdes julgados, pois da forma como julgares, assim também vos julgarão."

Com amor,

Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 09/02/2006
Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras